Tempos deixados naqueles bancos da escola,

Onde a acomodação era para dois lugares,

Mas sentar menino com menina, só se fosse por castigo.

Oh! Que pena que nunca fomos castigados!

Quando um objeto caía, o outro logo juntava,

E numa cumplicidade nossas mãos se esbarravam.

E até emprestar algum material era desfarce,

Para mais uma sutil aproximação.

Na hora do recreio, correr num pega-pega,

Dobrando o corpo insinuando escapar,

Mas na verdade era um charme proposital.

E assim a brincadeira se prolongava até o sino tocar.

No jardim brincando de esconde- esconde,

Naquelas folhagens rasteiras com o corpo curvado,

Ficando até um pouco à vista e de fácil locomoção.

E quando o outro visualizava, em gargalhadas corríamos

Para ser o primeiro a tocar no lugar da marca.

Cortar uma flor para enfeitar o meu cabelo

Não era só uma traquinagem,

Era mais um galanteio com a intenção de provocar.

E assim somávamos alegrias num vínculo de amizade,

Sem decifrar que era o amor que desabrochava

Na alma ingênua de duas crianças.

Hoje a saudade costura retalhos dequele amor.


 
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Código do texto: 020e943ea5410a740b4e2c4f99e09ba2                  Enviado por: Arai Santos em 02/01/2018

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Sobre a autora
Arai Santos
Campo Largo, PR, Brasil


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