Tarde 


Arrebol. 

Pássaros beliscam 

as uvas de Zêuxis.

Não sei se em mim ou se na tarde,

uma dor de coisa malsida

clama por rediviver.

Sozinhidões da alma

em sonhamentos

de florescer presenças... 


Algo em mim chora,

não meu morrer

nem a umidez de débeis mágoas...

Algo em mim chora

minha desvida

e o sem remédio

de poder reinventá-la

em terras de além-ser. 


Uma dor quase roxa

( e manchada de amoras )

no jeito de lembrar-te

com os dedos da alma,

sangrando por reter a haste

de uma rosa

obsessivamente vermelha,

mas sempre já-não-sendo —

como o arrebol

já mordiscado de noite.

LA


                        


 



 
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Código do texto: 68d82cb4a1eef159ac3616f67a7a5a1d                  Enviado por: Laerte Antônio em 31/10/2017

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Sobre o autor
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Casa Branca, SP, Brasil


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