Confluência Zero 


Pobre homem, que só tem olhos

para o real que desmorona.

Não desenvolveu aparelhagem

para subir, descer,

entrar, sair

entre a ribalta e o poscênio —

entre ser e ser-se.

Só tem vida de superfície.

Seu ego, volumoso,

é o seu maior tirano:

ocupa o centro do seu ser

e o encarcera

em sua própria casa.

O ver ou reprocessa a realidade,

ou a faz monolítica.

Penitenciária ou liberdade

começa dentro do homem.

Vivemos para fazer do tempo

o nosso barco e rio —

buscando a confluência zero:

lá onde o Sonho não morre

porque encontrou o destempo

e construiu o seu não-precisar.

LA


                                  


 


 



 
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Código do texto: 98164d97851730325916c7f77f8cc58b                  Enviado por: Laerte Antônio em 30/10/2017

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Sobre o autor
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