Incursão

 

A infância?

A infância se foi,

rolou,

bolinha

de gude

nalgum bueiro...

 

E a gente jogava tão a sério.

Jogava pra ganhar.

Jogava pra aumentar!...

Jogava pra valer.

Jogava a sério...

pra ganhar...

Pra...

Jogav............................................................................................

 

A infância

ficou

por aí...

rolada

...nalgum

bu...

ei...

ro...

 

A infância é um picolé

que se apressa a derreter

tão-logo surge o raciocínio...

 

..............................................................................................................

 

Adolescência.

 

Entre o sensual orgulho do sutiã

e o impaciente despontar da barba,

a adolescência é a mais bela insensatez da vida.

 

Como a vida,

foge a toda lógica.

Como a vida,

não se explica a si mesma.

A adolescência é dor alegre...

 

A infância

(diz o poeta)

o coração a restaura,

recobra-a toda...

 

A juventude

(torna o poeta)

está todinha intacta...todinha lá,

numa fresta do tempo,

entre o rochedo e a eternidade...

 

......................................................................

 

A vida é sempre-sempre

um suplantar de situações.

A vida nos quer outros,

insistentemente outros.

E o ser em nós pendula assiduamente

entre a dor e a alegria de mudar.

Toda aparente quietude

já está sendo mudada

por uma nova inquietude interna...

(E isto até quando houver até...)

SER é uma longa e introspectiva peça.

ESTAR é seu ensaio e representações.

Aquilo que estamos não serve,

temos de sê-lo transfiguradamente...

E é nesse processo

que o barro em nós se constela...

O Grande Demiurgo

soprou no barro...

mas quer sentir o nosso hálito nos astros.

....................................................................................................

Mocidade-maturidade.

 

Entregamo-nos à nossa lavoura.

Canalizamo-nos inteiros.

Semeamos.Regamos.Colhemos.

Damo-nos.                                   Gastamo-nos.

 

Quando nos lembramos de nós,

já não estamos aqueles...

Procuramo-nos com olhos e dedos...

Estamos outros.

Derreteu-se-nos a cera,

em nossa escalada ao Sol...

...............................................................................................

Velhice.

 

Só existe quando morrer é um bom negócio.

......................................................................................................

Morte.

 

Vem lamber o prato da vida.

 

A morte é a vida com vergonha de si mesma...

e só faz sepultar a vergonha da comparsa.

 

Com vergonha de si, a vida fecha os olhos,

e emigra.

A morte assume a casa falida e vazia.

Começa a demoli-la,

reciclando o material,

que vai continuar sediando vida,

moldando máscaras de cera...

LA

 


 

 

 



 
Laerte Antônio Views: 55

Código do texto: 2a7a44b1945b603a035ee2cba1374505                  Enviado por: Laerte Antônio em 27/09/2017

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Sobre o autor
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