BREVE NOÇÃO DE RETÓRICA

(luiz carlos leme franco)

 

        Existem cursos de oratória que duram semanas. Há livros e livros  de grande calibre sobre o assunto e não o esgotam. Não seremos nós a fazê-lo.

Pretendemos dar alguma contribuição prática, de exercícios e regras que possam melhorar um pouco o nosso falar do dia a dia.

      “Reto-ors”, grego, quer dizer  falar correto, dizer corretamente. Significa “ o orador numa assembléia ( principalmente os gregos, que não escreviam seus ensinamentos, preferindo transmiti-los através da fala. Foram os que mais se destacaram nesta arte, como Sólon Vergílio)”.

       Para nós significa a arte de falar, a arte da oratória, a arte de usar todos os recursos da linguagem com o objetivo de provocar um efeito determinado nos ouvintes.

      Não quero dizer eloqüência, pois isto é dom, privilégio dada pela natureza.

       O que mais pode nos ajudar é a califasia, que é a arte de tornar a palavra distinta, escorreita, expressiva e agradável.

                   Distinta -  as palavras sendo pronunciadas com distinção, isolada umas das outras. Um defeito sério é o ‘comer’ finais de palavras,  muitas vezes fazendo com que o ouvinte não distinga o que se queira dizer.

                   Correta – Cada palavra tem o seu significado exato no contexto. Precisamos usá-las bem.Por exemplo: bonito é diferente de lindo. Esta palavra não tem o mesmo significado que simpático, embora sejam sinônimos. Esta última é diferente de belo. NO caso, temos uma gradação de valores.

                   Expressiva -  A palavra deve dizer realmente o que queremos e não o que o ouvinte pena que queremos.A expressão (inclusive corporal) é muito importante. É diferente, se se interroga, exclama, afirma, nega ou simplesmente se diz alguma coisa, embora as palavras sejam as mesmas. Ex.: É ! É ? (titubeante). É (ironizando). É. Querem dizer coisas bem diferentes.

                   Agradável – às vezes, o Português está escorreito, porém a sequência da oração não é bem soante. P.ex.:Minha mana mandou-me  minha mala. É correto do ponto de vista gramatical, mas, é óbvio, não agrada. É preciso que se mude isto.

                   Cuidado com os cacófonos ( ex. – desculpe-me, então).

 

                   A oratória tem utilidade moral, pedagógica, estética, social, entre outras.

                   Daí, a importância que devemos dar a ela.

             -- Moral           – (vício de  pronúncia, por exemplo, pode trazer humilhações.)

             -- Pedagógica  - ( o ensino mais eficiente é o que se faz de viva voz).

             -- Social            - ( muitas pessoas competentes ficam relegadas a plano inferior porque  

                                          não têm elocução perfeita).

             -- Estética         - (todos procuramos o belo).

 

              Para que se domine a oratória devemos conhecer alguns fundamentos físicos do falar, devemos conhecer o aparelho onde a fala é produzida: o aparelho fonador. Ele é composto de vários órgãos ( boca, fossas nasais, laringe, faringe, traquéia, brônquios, bronquíolos, cordas vocais, pulmões, pálato, língua e diafragma, porque não?) estudados em qualquer livro de anatomia ou impostação de voz.

             Além deste estudo  deve-se   saber que este aparelho fonador é o melhor instrumento sonoro que existe. Embora alcance somente uma oitava e meia, podemos com ele imitar outros instrumentos, ás vezes de maiores recursos. A voz humana tem as mesmas qualidades do som que os instrumentos: timbre, altura, intensidade e quantidade.

               Timbre – é a qualidade do som que nos permite saber a fonte do mesmo. Ex.: um violino e um piano produzindo a mesma nota, este som é diferente, nos permitindo saber de onde veio. Cada voz tem mo seu. O meu é diferente do dele, do dela.

               Altura – depende do número de vibrações. Pode ser mais alto ( agudo) ou mais baixo (grave)  o som.

               Intensidade -  è a força com que o som é produzido: alto e baixo.

               Quantidade -  é a duração do som: curto, longo etc.

 

               Apesar de isto conhecido, à vezes o discurso não sai como queríamos. Entra aí outro aspecto importante. Além da natureza física da fala ( articulação das palavras)a  atitude mental é de suma importância.

 

 

                               =+Exercícios para uma boa oratória +=           

 

 

Talvez o que mais eduque é a leitura em voz alta, porque jamais chegaremos à interpretação oral se não lemos direito. Isto educa a fala e o ouvido.

 Também, determinados exercícios respiratórios devem ser feitos: os que pausam a emissão do ar e os que expandem o tórax e o abdomem.

Deve-se exercitar a dicção:

a)      Articular bem as palavras,

b)      pronunciá-las corretamente.

 

A pontuação  -  A pontuação escrita é diferente da oral, sabidamente. Precisamente dentro deste aspecto, a pessoa que vai declamar uma poesia, por exemplo, deve conhecer esta poesia, antes, para que suas pausas sejam colocadas.

                         Todo discurso deve ter um ritmo – falar muito devagar é prejudicial.

Cadência – é falar interpretando o que se diz, entonando-se.

O corpo -  outra abrangência é a respeito do corpo: o corpo fala: é interessante que se tenha noção de expressão corporal, teatralização.

Gestos – quando fazê-los?

                Deve-se usar espontaniedade. A Palma da mão é o centro do gesto. Nunca se  deve ficar á mercê dos movimentos do braço. Os dedos apenas acompanham a mão. Deve-se movê-los o menos possível.

 

                Para encerrar devo avisar os poetas que o máximo de retórica é a interpretação poética. É a arte mais difícil.

 

 

LUIZ CARLOS LEME FRANCO.

       

 

                             

 

 


 
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Código do texto: f50b78fa108b34e11315183687144362                  Enviado por: lemefranco em 28/10/2012

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