Discurso de Posse na Academia de Artes, Ciências e Letras Castro Alves, 21/11/09

 

 

Sra. Presidente / Srs. Acadêmicos / Prezados Convidados:

Para mim, que nunca fui senão um radialista do interior, não poderia haver honra maior do que essa que os Srs. Acadêmicos me concedem, de participar desta ilustre Casa. É o grande dia da minha carreira no mundo das letras. Sinto-me feliz em entrar para esta comunidade literária, que me recebe tão generosamente.

A cada um dos senhores agradeço a confiança que em mim depositam.

Antes de qualquer coisa quero desculpar-me com os demais integrantes desta Academia, mestres na arte da oratória pelo fato de não ser dado à colaboração de discursos e muito menos orador.

Compelido pela praxe acadêmica, consegui, afinal, depois de luta insana com meus fantasmas e demônios, elaborar este que chamo de “pré-requisito” para o ingresso oficial na academia. Inicialmente, agradeço à Presidente da Academia Artes, Ciências e Letras Castro Alves, Sra. Alba Pires Ferreira, demais integrantes da diretoria pela receptividade. Da mesma forma, através da Sra. Alba, gostaria de mencionar um fato que merece registro, os 43 anos da Academia comemorados na data de ontem, dia 20. Vocês acadêmicos estão de parabéns, pois trabalham com sentimento, pois somente os apaixonados levam a cabo obras verdadeiramente duradouras e fecundas.

Sinto-me feliz em entrar para esta comunidade literária, que me recebe tão generosamente.

A cada um dos senhores agradeço a confiança que em mim depositam.

Trabalharei com as limitações próprias de minha mediania, mas com a grandeza - sem limites — de meus ideais.

Idealista e semeador de cultura também foi meu patrono, José Antônio do Vale Caldre e Fião. Escritor, jornalista, política, médico e professor brasileiro. Nasceu em Porto Alegre no dia 24 de outubro de 1824 e faleceu no dia 30 de março de 1876. Exercia a profissão de boticário aqui em Porto Alegre, mas mudou-se para o Rio de Janeiro durante a Guerra dos Farrapos, onde iniciou exercendo o magistério, ensinando francês, italiano, latim, filosofia e ciências naturais no Colégio Estrela.

Frequentou a Faculdade de Medicina e estudou homeopatia, tendo abandonado a carreira de professor. Foi membro do Instituto Homeopático do Brasil.

Dedicou-se intensamente ao abolicionismo, fundando e dirigindo o jornal O Filantropo entre 1849 e 1851. Foi membro da Sociedade contra o Tráfico de Africanos e Promotora da Colonização e Civilização dos Indígenas, da qual foi um dos fundadores em 1850. Por causa de seus ideais foi perseguido e ameaçado.

Retornou ao Rio Grande do Sul, em 1852, após obter seu diploma de médico, onde foi um dos fundadores da Sociedade Pártenon Literário e seu presidente. Foi também deputado geral, pelo Partido Liberal-Progressista, em 1855, e membro também do Instituto de História e Geografia da Província de São Pedro.

No Rio Grande do Sul estabeleceu-se numa chácara em São Leopoldo, onde, enquanto sua esposa dava abrigo aos filhos de escravas libertados pela lei do ventre livre, ele dava prioridade à medicina e à política partidária. Na literatura nacional figura entre os primeiros romancistas brasileiros. Explorou temas e motivos que mostram sua perfeita sintonia com os de sua época. Basta compará-lo, por exemplo, a José de Alencar, o principal autor do tempo, que lhe é posterior, para verificar a existência de uma interlocução interessante entre ambos, sobretudo no que diz respeito à exploração ficcional da geografia do vasto, e desconhecido, território brasileiro.

Um gaúcho que deve ser lembrado para e eternidadee. A propósito, na nota com que se apresentava ao público, em A divina pastora, o autor dizia de sua alma plácida: “gozar é a partilha do Céu – sofrer é a existência da terra” .

Quanto a minha paraninfa, Sra. IlDA MARIA COSTA BRASIL, orgulhosamente digo; é minha conterrânea. Nasceu em Restinga Sêca de uma tradicional família. Cresceu ouvindo o apito do trem chegando à estação, local de nascimento do internacionalmente conhecido artista plástico Iberê Camargo  e onde o povo recebeu o corpo do Coronel Aparício Gonçalves Borges, Comandante da Brigada Militar na Revolução Constitucionalista de 1932. São s figuras exponenciais  oriundas do mesmo pedacinho de chão deste querido e amado Rio Grande do Sul,  mas, acrescento uma terceira expressão de singular valor que tão fervorosamente orgulha-se de sua terra; professora ILDA MARIA COSTA BRASIL.  ......

Professora Ilda, madrinha, incentivadora, amiga, conselheira... nossa embaixatriz cultural em Porto Alegre..  É Formada em Letras e Pós-Graduada em Recursos Humanos para Administração e Supervisão de Escolas; Professora de Literatura, Língua Portuguesa e Redação no Colégio Conhecer, onde desenvolve o Projeto Literário “Imagens & Textos construindo Histórias e Versos’, com suas turmas de Ensinos Fundamental e Médio. Em 2008 e 2009, dos trabalhos produzidos pelos alunos, deu-se a publicação de seis obras: “Olhares – Crônicas Escolares”; “Palavra, A Linguagem da Vida”; “Romance Interativo - Fantástica história de um mundo além da imaginação”; “Traçando momentos singulares”; “A vida é um palco, nós os atores...” e “De tudo fica um pouco!”. Os gêneros textuais trabalhados são bastante diversificados: romance; crônica; conto; carta; manifesto; poesia; soneto; dueto, entrelace; haicai e poetrix. Em maio deste ano, em parceria com Victória Falavigna, sua neta, lançou “Juntas, Hoje e Sempre” que contem duetos e entrelaces. Em breve, estará lançando “Poesia, Uma Força Singular!”; e “Inquietudes D’Alma, pela CBJE/Rio de Janeiro/RJ. É Prefaciadora, Parecerista e Organizadora de Obras Literárias Impressas e Virtuais, assim como Colaboradora de várias Revistas Literárias e Jornais. Implantou e coordenou o 1º Grupo de Parceiros Voluntários no Colégio Júlio de Castilhos, de Porto Alegre/RS; foi Patronesse da Feira do Livro 2003 de sua cidade natal, Restinga Seca/RS, e Educadora indicada pela Presidente da Câmara de Vereadores de Porto Alegre/RS, Sra. Margarete Costa Moraes, ao Prêmio Educação RS – 7ª edição. Ilda Brasil será a próxima Escritora Homenageada pela Sra. Rozelia Scheifler Rasia, Presidente da Associação Artística e Literária “A Palavra do Século XXI”, de Cruz Alta/RS, com a publicação da Coletânea “Olhar Andarilho”, Editora Alternativa, de Porto Alegre/RS.

Dignissimas Autoridadess, senhoras e senhores, ao concluir minha fala, quero registrar sinceros agradecimentos aos meus familiares aqui presentes, e os que ficaram... e  a todos que me apoiam. Agora herdeiro da tradição de meu patrono e de meu antecessor, espero, com o mesmo empenho que eles, colaborar neste trabalho de semear cultura e grandeza, dignificando a homenagem que recebo. É um momento inesquecível e de alegria e comprometimento à academia que me recebe. Como escreveu o Patrono Castro Alves; “Bendito aquele que semeia livros e faz o povo pensar.” 

 

Que o Grande Arquiteto do Universo nos ilumine a todos.

 

Muito obrigado.

Porto Alegre, 21 de novembro de 2009.

 

 

 

 

 

Luiz Carlos Martini

 


 
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Código do texto: 93d6fd5dc3af00cbd40795d54d776f59                  Enviado por: Luiz Carlos Martini em 17/09/2012

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Sobre o autor
Luiz Carlos Martini
Restinga Sêca, RS, Brasil


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