O Filho Perfeito
Desejos e Maldades

 Tavinho andava se comportando muito mal nos últimos dias. O jovem pai com a cabeça atolada no trabalho e nos estudos tentava fugir dos problemas de casa, enquanto que a esposa reclamava e chamava atenção para o mau comportamento do filho único:
 — Tavinho está impossível, Lázaro! Precisamos fazer alguma coisa! Não aguento mais ouvir os vizinhos reclamarem! A escola tem me chamado com muita frequência para denunciarem o comportamento inadequado dele! Até o professor de musica reclamou que Tavinho pediu para ele enfiar o clarinete no rabo!
 Lázaro tirou a fuça do livro da OAB. Encarou perplexo á esposa e perguntou:
— Ele pediu para o Senhor Clóvis enfiar o clarinete onde? 
— No rabo, Lázaro! – respondeu ela de boca cheia – Ele pediu para o Professor Clóvis enfiar o clarinete bem no meio do rabo!
 Clóvis envergonhado pensou no velho professor descendente de alemão, que também lhe ensinou a tocar clarinete em sua infância. Olhou bestificado para a esposa e lamentou:
— Que vergonha...
— Vergonha? – perguntou a esposa com ainda mais bizarrice para contar – Isso é quase nada perto do que ele fez com o filhote de cachorro da nossa vizinha! Ele colocou o pobrezinho no forno de micro-ondas e... Meu Deus... Nem vou falar disto que meu coração se enche de desespero!
— Eu não posso acreditar em umas coisas dessas, Maria! – levantou-se indignado, deixando o livro cair no ladrilho da sala – Tavinho ainda ontem brincava com os bonequinhos dos Power Rangers!
— Brincava? Até onde sei ele arrancava a cabeça deles e enfeitava a ponta das canetas. Inclusive chegou a usar uma dessas canetas pra furar o pescoço de um dos amiguinhos. Lembra?
— Mas... Isso foi na segunda serie!
 A esposa respirou fundo, olhou para o marido e desabafou em resposta:
— Sim, mas as coisas só pioraram de lá pra cá. Você se preocupa tanto consigo mesmo que não consegue ver nem isto, Lázaro.
 O esposo levou a mão na testa suada. Correu a mesma pelos negros cabelos curtos até chegar ao pescoço e terminar no rosto:
— O que sugere que façamos Maria?
 Maria encheu-se de rancor. Finalmente Lázaro tinha despertado para o grande problema doméstico. Ela olhou friamente nos olhos do esposo, pegou a bolsa, á colocou entre os braços e disse cheia de marra:
— Você vai á escola falar com o diretor, porque eu estou cansada de levar esporro por conta do Tavinho! Eu tenho depilação na virilha marcada para daqui a pouco. E se pretende ver como ficou, lhe digo que só prestigiará se houver bons resultados nesta zorra toda!
 Lázaro ainda com uma curiosidade, segurou no braço da mulher e perguntou:
— Diz pra mim... Quantos minutos?
— Quantos minutos o que Lázaro? – perguntou ela quase sem paciência.
— Quantos minutos ele colocou no micro-ondas com o cachorrinho?
— 25. 25, e se quer saber mais, ele explodiu! Explodiu, tive que limpar, desinfetar, colocar os “destroços” do filhote em duas sacolas de supermercado e jogar no lixo. E enquanto levava o lixo na rua, a vizinha me perguntou se vi o cachorrinho dela! Coloquei minha cara de pau e respondi que não o vi, sendo que estava com ele dentro do nosso lixo! Tem ideia de quanto me é penoso mentir, Lázaro?
 Antes que ele a confortasse, Maria saiu batendo a porta.
 Lázaro a seguiu até a porta, mas parou. Acendeu um cigarro na varanda, vendo a esposa jovem e bela entrar no carro pequeno.
 Deu uma tragada magnífica, como que se acabasse de despertar para uma realidade que não conhecia. Em sua cabeça, ainda ecoava o espírito da juventude. Embora tivesse seus 29 anos, era pai de um saudável garoto de 11. E por melhor que administrasse a família, deixava pequenos deslizes como este virarem uma bola de neve. Apagou o cigarro antes que o mesmo chegasse à metade, vestiu uma roupa apresentável, se olhou no espelho e se disse:
— Hora de crescer, Lázaro. Hora de ser o homem da casa e deixar de lado todo o resto.
 Todo o resto. Seu luxo barato que alimentava seu desmazelo.  Lázaro que até então se ocultava do problema que ficava cada vez maior, não teve outra escolha a não tomar atitude. Atitudes de um homem de verdade. O homem da casa.
 
 Foi muito bem recebido pelo diretor alto e forte, que lhe sorriu de orelha a orelha, oferecendo chá mate e biscoitos de polvilho. Após comer e lamber os dedos, encarou o homem grande que lhe ensaiou um novo sorriso e foi dizendo:
— Tavinho é um garoto surpreendente. Devo confessar que ele é genial e de grande astucia. Nesta parte o senhor está de parabéns.
 O pai cheio de orgulho não esperava ouvir tamanho elogio. Olhou com o sorriso mais satisfeito do mundo para o diretor abrutalhado, dentro de seu terno esverdeado e simples:
— No entanto – continuou o diretor, ainda apreciando um biscoito – deve lhe afirmar que o garoto é um peste. Digo “afirmar” porque sua esposa vem aqui em media duas vezes por semana, deve ter lhe relatado alguns episódios que ouviu de mim, referentes ao seu filho.
 Pronto. O sorriso se desmanchou e virou decepção. O Diretor limpou as mãos do pó do polvilho e disse, rasgando o verbo sem dó nem piedade:
— Me pergunto se bem está fazendo sua parte para a educação deste garoto. Ele tem apenas 11 anos e esta no quinto ano, pois repetiu o terceiro. E em todo este tempo, o senhor não veio ter a palavra comigo sequer uma única vez. Devo creditar como maior causa deste comportamento o seu fracasso como pai?
 Lázaro olhou perplexo para o diretor sincero, que movido pela raiva, se levantou da cadeira e relatou, enquanto caminhava pela grande sala da diretoria:
— Quando digo que seu filho é astuto, não estou exagerando. Ele inventou aqui no colégio um jogo chamado: “Adivinhe o Que Comi Ontem no Jantar”.
— “Adivinhe o Que Comi Ontem no Jantar”? – Perguntou Lázaro, tentando acompanhar com os olhos o homem estressado – Que jogo é este?
 De súbito, o diretor parou atrás da cadeira de Lázaro. Colocou as duas mãos pesadas sobre seu ombro e lhe disse depois de respirar fundo:
— Só tomei conhecimento deste jogo na tarde de ontem, quando um aluno da terceira serie entrou em minha sala chorando, com a boca toda lambuzada de merda. Não foi Tavinho que o fez comer fezes, mas á relatos de alunos de que ele criou tal jogo. Tavinho tem inúmeros seguidores nesta escola, é um aluno muito popular, que consegue seduzir os piores com suas maldades que deveriam ser ingênuas. Mas voltando ao jogo “Adivinhe o Que Comi Ontem no Jantar”, lhe digo que a regra deste consiste no seguinte: um aluno defeca no banheiro masculino. Ele e outros amigos pegam uma das crianças fracas e á arrastam até o banheiro. Fazem esse coitado comer um pedaço da merda e fazem a pergunta “Adivinhe o Que Comi Ontem no Jantar”. Se o pequeno acertar pelo menos dois itens, ele sai ileso. Se errar, é obrigado a comer a bosta toda. 
 Lázaro ficou perplexo diante da revelação do jogo inventado pelo filho. Pensou no miúdo ainda bebê, chorando para mamar... Não imaginava que aquele bebê manhoso se tornaria tal monstro descrito pelo diretor truculento:
— Senhor Lázaro, pode me acompanhar, por favor? Quero te mostrar uma coisa.
 Lázaro seguiu o homem até o banheiro em sua sala, sem nada entender. Pararam de frente a privada suja, cheia de fezes gordas e flutuantes. O jovem homem mirrado olhou para o diretor e o ouviu dizer:
— Talvez não tenhamos compartilhado da mesma linha de raciocínio. Tive a ligeira impressão que não entendeu bem as regras deste jogo. Estou certo?
 Lázaro tremeu e suou frio. O fedor da merda na privada lhe impregnava nas narinas. Tremeu ao imaginar que o diretor pudesse ir tão longe em suas explicações sobre tal jogo sujo:
— Compartilhamos sim! Entendi as regras e as consequências de tal jogo! Darei uma lição no Tavinho!
— Mas é claro que dará uma lição em seu filho! Dará sim, mas isto é entre vocês. Entre você e eu, lhe digo que aprendeu as regras do jogo inventado pelo seu filho na teoria. Talvez devesse aprendê-la na pratica. Como bom educador, terei assim total certeza de que aprendeu corretamente.
 Lázaro o olhou estagnado. O diretor ligeiro segurou em seu pescoço e pressionou seu rosto contra a louça, o fazendo ficar com a cara próxima a merda flutuante. Enfiou a mão grossa na batente e pegou um pedaço da bosta. Lázaro magrelo, se debatia em desespero, em vão, estava totalmente dominado pela mão troncuda do velho diretor:
— Colabora! Abra bem esta boca, senhor Lázaro!
 Lázaro pressionava os lábios um contra o outro, trancando os dentes, protegendo-se, enquanto as fezes eram esfregadas em sua boca. O diretor em ira apertou com as unhas o pescoço do pobre homem, que deu um grito desesperador, arreganhando a boca e dando passagem para a merda:
— Adivinhe o Que Comi Ontem no Jantar, senhor Lázaro?
 Quando viu que o coitado cuspiria a merda, Tapou sua boca com a palma da mão lambuzada e disse em seu ouvido, sem se desgrudar de seu pescoço:
— Seja espirituoso e me diga! Se não o fizer, juro por Deus que te faço comer todo o resto!
 Espirituoso? Lázaro de olhos arregalados, com a boca lacrada pelos dedos grossos, se viu obrigado á engolir o próprio vomito, dando total prazer ao diretor pretensioso, que soltou seu pescoço e segurou em seus cabelos, perguntando em ira:
— Me diga porra! Adivinhe o Que Comi Ontem no Jantar?
 Lázaro se viu indefeso e totalmente submisso ao capricho daquele homem grotesco. Sem chances de defesa, teve os dedos tirados da boca e falou:
— Feijão! Feijão e tomate!
 O diretor sorriu satisfeito. O soltou e o aplaudiu com as mãos sujas, enquanto o pobre coitado vomitava dentro da privada. Lázaro apertava a descarga e vomitava, morrendo de medo de ter errado e comer todo o resto:
— Muito bem! Meus parabéns, senhor Lázaro! O senhor é um grande homem! Me faz acreditar em três coisas: ou tem o paladar muito aguçado, ou já comeu muita merda nesta vida, ou é mesmo um filho da puta de muita sorte! Caralho! Como pode acertar assim?
 Lázaro o encarou com ódio. O diretor mais calmo o olhou com diplomacia, enquanto lavava as mãos sujas com a própria merda:
— Ok, senhor Lázaro. Agora faz total ideia da dimensão dos fatos. Conhece muito bem esta brincadeira maldosa. Se disser que fui malvado, lhe arranco a razão e afirmo: a culpa é toda sua, por ter sido um pai tão ausente. Vamos até meu escritório e terminar com esta reunião tão... Desgastante.
 Os dois seguiram até o escritório, Lázaro limpava a boca a todo instante, completamente humilhado e sem coragem de olhar para seu agressor, que sem mostrar qualquer arrependimento, foi logo dizendo:
— Não fique tão brabo comigo. Sou um profissional muito preciso, e se achei por bem que o senhor entendesse desta forma, peço que não tire minha razão. Do mais, o senhor adivinhou! É um homem sábio e acredito na recuperação sua e do garoto! Bem por isto, indiquei um profissional. Um psicólogo que avaliará vocês dois. Transformará o senhor em bom pai e ele em um filho perfeito. Não se preocupe com dinheiro, é do interesse da nossa escola que nossos alunos sejam mentalmente sadios. O governo bancará todas as 8 seções semanais. Até lá, seu filho ficara afastado de nossa escola. Essa brincadeira terminou hoje, pois o ultimo aluno já comeu toda a merda que podia. E fez isto na frente de todos os outros, para acabar de vez com toda essa coisa ridícula! O senhor está liberado, pegue seu filho. Ele te aguarda no pátio. A primeira seção é amanhã, as 8hs. Eis aqui o cartão e o nome do psicólogo – estendeu o cartão pequeno ao rapaz, que o guardou no bolso da camiseta.
 Lázaro olhou firme e indefeso para o Diretor canastrão. Saiu da sala de cabeça baixa, ainda com o gosto de merda na boca.
 No corredor da escola, viu o filho de cabeça baixa, rodeado por alunos e funcionários da escola. Encarou o pequeno Tavinho nos olhos e viu sua boca toda melada de merda. Sem dizer uma única palavra, o menino atravessou a multidão de crianças que lhe davam espaço para não se sujarem.
 Lázaro nunca tinha se sentido tão humilhado. Mas piedoso, olhou o filho em igual situação e saiu com ele, triste e pensativo.

 Tavinho dentro do carro não se intimidou com o espanto do pai. O encarou e  disse tentando se limpar com a própria camiseta:
— Não se preocupe pai. A merda é minha. Não tive que adivinhar o que comi ontem no jantar, mas mesmo assim tive que comer tudo. Odioso comer o quiabo da mamãe uma vez. Come-lo duas vezes então...
— Cale a boca! – gritou Lázaro freando o carro bruscamente. Começou a esmurra o volante enquanto gritava em ira – Cale a boca! Cale a boca! Cale a boca!
 Tavinho o olhou assustado. Engoliu o medo junto com a própria bosta e perguntou destemido:
— Comeu merda também, não é papai? – Lázaro olhou indignado o filho, que continuou a dizer – O diretor Fausto garantiu que te faria comer á merda dele por ter sido um pai tão ausente...
— Sim! – indagou o pai nervoso – Comi sim! O desgraçado me obrigou a participar do joguinho sujo que você criou!
 O menino riu em deboche, o pai ligou o carro e disse enquanto dirigia:
— Tens psicólogo amanhã. Alias, temos. Por sua culpa terei que me submeter a isto! Seu comportamento nojento me fez parecer um mau pai.
— Papai... Posso te fazer uma pergunta?
 Lázaro que mantinha seus pensamentos firmes na depilação da esposa, olhou o filho com a boca ainda lambuzada pelo retrovisor do carro, respirou fundo e respondeu com sua velha calmaria:
— Mas é claro que pode, meu filho. O que diabos quer saber?
 O menino aos risos perguntou:
— O que o diretor comeu no jantar?
 Lazaro arregalou os olhos, incrédulo com a maliciosa inocência do filho.
 
 Borbulhando dentro da banheira de louça, com o corpo bonito e os lisos cabelos molhados, estava Maria. Mergulhada no luxo bobo, conquistado á dura penas por ela e o marido.
 Correu os dedos pela virilha depilada, lisa e suave. Fechou os olhos e pensou na reação do marido. Mas enquanto se tocava, foi também inevitável não pensar em outro ser. Ser este que ela odiava, ou melhor, repudiava.
 Diretor Fausto. O velho corpulento e rude. O velho grotesco e astuto, que vestia sempre feios ternos cinzas e verdes. Pensou no ódio que sentia daquele homenzarrão grosseiro. Aquele homem que da ultima vez que viu, a fez experimentar um místico prazer, misturado com nojo e ódio:
— Estou de mãos atadas, Maria – lembrou-se ela das palavras dele – me vejo obrigado a desviar verbas da escola para o tratamento mental de seu filho e de seu marido distraído.
 Aproximou-se da cadeira onde Maria estava sentada, ficou atrás dela, colocou as mãos grossas em seus ombros e disse enquanto os apertava levemente:
— Tavinho é um garoto brilhante. Se desviarmos o foco dele para coisas boas, naturalmente o aproveitaremos melhor na sociedade.
 Desceu levemente a palma das mãos no busto da mulher. Maria arregalou os olhos enquanto os dedos afoitos desceram em sua pele macia.
 Por instantes, ela sentiu um prazer alem de sua compreensão. Sentiu-se fatalmente seduzida pelas mãos ousadas do diretor, que chegavam próximo aos seus seios e subiam novamente em seu ombro, como que a provocasse, alimentando sua curiosidade sobre tão quão longe iria:
— Podemos muda-lo juntos, Maria. Podemos torna-lo um garoto responsável.
 Dentro de sua banheira, ao pensar em tudo aquilo, sentiu a mesma sensação que naquela estranha situação, na sala do grotesco. Sem perceber, masturbava-se pensando nas mãos do diretor Fausto. E em meio a sua loucura, pensava naquele estranho dia.
 Fausto ousou. Desceu a mão até os seios de Maria, que vendo que ele foi longe demais, colocou as mãos sobre as dele, as tirando de seu corpo. Levantou-se desconcertada da cadeira e sem dizer uma única palavra, saiu da sala, super excitada.
 E se lembrando daquilo, teve um orgasmo tremendamente satisfatório dentro de sua banheira de louça. Gemeu alto, tão alto que acordou sua razão. Olhou se no espelho e se sentiu ridícula. Ridícula e culpada. Como pode uma moça bela, casada com um jovem e viril homem, tocar-se pensando em um sujeito sujo e grotesco como o diretor Fausto? Culpou-se. Se encheu de remorso e sentiu vontade de se afogar na espuma branca. Teve vergonha de si mesma, uma vergonha tão selvagem que lhe fadou a sufocar-se na banheira.
 Sim, ela sufocou o cérebro com água e sabonete liquido. Deitada no fundo da banheira que ainda enchia, sentiu a água transbordar. Quanto tempo aguentaria?  Quase nem dois minutos. Submergiu novamente, jorrando da boca água e espuma. Desligou a torneira e escutou o marido entrar com o filho dentro do apartamento.
 Levantou-se de sua banheira chorosa pelo feito absurdo. Olhou o corpo bonito e molhado, o sexo sem pelos, ainda avermelhado graças à cera quente. Respirou fundo e se secou, enquanto ansiava para ouvir do marido sobre seu encontro com o velho e forte diretor.
 
 
— O senhor Fausto me tratou muito bem. – mentiu Lázaro a mesa, escondendo da esposa a própria vergonha, enquanto olhava no prato o quiabo cozido que o filho tanto odiava – Foi gentil ao alertar que Tavinho precisa de um psicólogo. Ele e eu, alias.
— Psicólogo? – perguntou Maria, disfarçando que ouviu sobre aquilo da boca do diretor – Não podemos pagar!
— Mas é claro que não podemos. – respondeu Lázaro cortando o quiabo babento – E é bem por isto que a escola o fará. Oito seções, e até o termino delas, Tavinho ficará afastado da escola. Será bom para nós dois. Podemos acertar nossos ponteiros de pai e filho com a ajuda de um profissional.
 Sim, acertar os ponteiros. Lázaro sabia que era fraco. Sabia que era totalmente submisso aos caprichos do filho e da bela esposa. Sabia que era o cachorrinho da casa, assim como sabia que teria que se dedicar menos a sua evolução profissional e conquistar seu status como homem da casa. Maria que não levava tão a serio a submissão do marido, olhou para o pequeno filho e perguntou:
— Esta gostoso o quiabo, Tavinho?
— Bem melhor do que merda. – respondeu ele sem titubear.
 Lázaro riu. Riu e gargalhou, enquanto a esposa batia na mesa e gritava:
— Seu boca suja! Boca suja!
 
 Quando o silencio da noite cobriu o quarto do casal, Lázaro deitou-se confortavelmente em sua cama sobre a luz do abajur, esperando o seu tão merecido premio. Ela entrou devagar, vestindo um curto baby-doll branco, quase transparente. Lázaro tremeu dos pés a cabeça ao ver a esposa de corpo bonito, segurando uma garrafa de cabernet sauvignon e duas taças de cristal.
 Ficou abobado vendo a bela moça puxar o laço do baby-doll, ficando apenas com um fino fio dental. Ele de olhos arregalados, olhou para o rosto inocente deMaria, enquanto enchia uma das taças. Maria ajoelhou-se na cama, pegou a taça de sua mão, bebeu um gole e encheu a boca com mais. Deixou a taça sobre o criado mudo, foi de quatro até o marido, abriu sua boca e deixou cair nela o vinho que tinha na boca. Quando terminou o beijou selvagemmente, sendo retribuída em êxtase e voracidade. Lázaro de olhos fechados e concentrado no beijo regado a vinho, passou as mãos nas costas da esposa, arrancando seu sutiã pequeno... Correu as unhas até seus seios e os apalpou com segurança. Maria então pensou no diretor truculento. Desviou novamente seu caráter, sua mente animada em uma atração absurda. Enquanto o noivo voraz a possuía, fechou os olhos e deixou-se pensar no truculento diretor bizarro, mas desta vez, com o mínimo possível de culpa.
 Lázaro comandado pelo seu absurdo desejo, delirou com o sexo depilado da esposa. Sim, valia apena comer um torrão de merda por Maria! Talvez até um caminhão de merda! Talvez... Maria chegou em seu limite pensando no diretor de cheiro almiscarado. Sorriu quase que sem remorsos. Ainda bem que não se afogou em sua bela banheira!


Continua em 
O Filho Perfeito
Demônio em Devaneios

 
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Código do texto: 7316e77542701ff3e12b4520522268b3                  Enviado por: Julio Cezar Dosan em 12/11/2012

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Sobre o autor
Julio Cezar Dosan
Maringá, PR, Brasil


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