O doutor Francisco Stein se encontra no velório de seu outrora assistente Pedro Walesa, morto aos tenros vinte e três anos de idade, quinze a menos que aquele. O assassinato se dera com requintes de crueldade, visto que o pênis da vítima fora retirado após esta ser atacada na cabeça com um martelo. O médico não vê a hora de regressar a seu lar. Pessoas já começaram a notar seu enorme volume à frente da calça, o que até então ele não possuía. Ademais, começou a emagrecer eficazmente e se tornar esbelto e cabeludo, algo igualmente inédito para ele. Fácil de se reparar e comentar...

Quando infante, Francisco era chamado de Chiquinho, apelido comum que tal nome acarreta, mas começou a ser conhecido como Chiquinhozinho, após descobrirem na escola o tamanho de seu pênis, o que se tornou um trauma aos quatorze anos. Desde então, inutilmente, o inteligentíssimo aluno devotado às ciências (sem se olvidar, entretanto, das demais disciplinas), começou a tentar aumentar o comprimento do que se fazia sua frustração, através do pendurar de pesos no membro. Depois, com o passar dos anos, tentou tudo o que a Física e a Química supostamente poderiam lhe proporcionar, não raro se ferindo. O tempo foi passando sem que a questão deixasse sua mente. Jamais teve namoradas, mesmo ao se tornar cirurgião plástico, urologista, neurocirurgião, entre outras especialidades, o que seria raríssimo em qualquer idade, quanto mais na dele.

Era sempre assaz bem conceituado em cada área. Ao atuar na Urologia, mantinha-se ele a olhar detidamente o mastro de seus pacientes, estudando-o e desejando reiteradamente possuir um igual em pujança quando via um bem dotado. Dificilmente podia pedir licença ao paciente para ir ao banheiro rir um bocado disfarçadamente ao ver um falo menor que o seu. Contudo, ao ver um assim, sentia-se anestesiado no ego, ao menos por alguns minutos.

Certo dia o médico soube de um paciente de outra ala que houvera acabado de falecer. Ele saiu em disparada ao setor depois de saber da pujança do membro que o falecido tinha, a qual se tornou longamente comentada no hospital. Pensou haver tempo para um possível transplante – ideia louca, como diversas dele – com tudo o que fosse preciso, inclusive a retirada dos testículos. Lá chegando, buscou saber se o morto tivera parentes ou amigos localizados, ao que a resposta lhe foi positiva. Portanto, a estratégia para retirar o pênis teria que ser melhor elaborada, motivo pelo qual o profissional de saúde cogitou a hipótese de acidente no transporte do cadáver, para despistar os entes queridos e ademais o pessoal do hospital.

Isto o fez, após saber da óbvia compatibilidade de tipo sanguineo (visto que Stein era receptor universal), retirar cuidadosamente o membro e congelá-lo de modo ágil, sendo o próximo passo verificar a espessura do membro para se aferir a compatibilidade, visto que a cor era semelhante à do médico. Devido à incompatibilidade de espessura constatada para uma possível emenda em seu tronco, Stein preferiu se submeter à retirada de todo o seu próprio tubo peniano, desde o fim, na bexiga, o que foi feito por seu assistente como êxito. O transplante também transcorreu com sucesso na fase de implantação. Já o cadáver ele ordenou que Walesa incinerasse, alegando depois engano.

Tão logo acordou da anestesia geral, o médico levantou-se da maca e se sentou, verificando por baixo do lençol o seu novo mastro, o que o deixou contente a princípio. Perguntou ao assistente se os nervos haviam sido completamente conectados, recebendo logo resposta afirmativa de Pedro. Ainda ia com calma ao banheiro para urinar, expelindo um pouco de sangue no início, mas depois urinando regularmente. O próximo passo era poder ejacular. Como possuía filmagens de outros médicos com enfermeiras em cenas íntimas, utilizou-as para enfim testar sua capacidade de enrijecimento e ejaculação, no que foi mui bem sucedido.

O passo seguinte seria realizar cirurgias plásticas no tórax, no peitoral, nos braços e pernas, além de colocar próteses de silicone para seguir no embelezamento. Realizado cada procedimento a custo zero para o médico, o próximo passo foi cuidar da calvície através de um remédio que não diminuísse sua capacidade ejaculatória, o qual ele precisou importar ilegalmente, por contrabando, atividade de que Pedro era pessoalmente incumbido, após sofrer coação física e moral.

Tudo ia bem, até que o pênis começou a parecer pequeno para o médico, que começou a reparar nos cadáveres frescos do hospital. Um outro paciente falecido, mas por envenenamento, foi o próximo submetido a testes, sendo que Stein pediu a Walesa resfriar o advindo do pioneiro transplante, para o caso de não haver êxito. Contudo, o procedimento transcorreu bem, para a alegria do conceituadíssimo doutor. Mais um cadáver “por engano” foi dirigido ao incinerador...

O médico enfim passou a ter constantemente relações sexuais, com alto índice de satisfação de suas parceiras. Entretanto, ele se mantinha insatisfeito ao se lembrar das humilhações a que se submetera quando na adolescência, motivo pelo qual queria ter o maior falo possível. Como forma de se vingar de tal passado, Stein passou a não esconder seus dotes no vestiário masculino toda a vez que tomava banho, visto que apenas agora passava a se banhar em locais coletivos.

A busca por membros ainda maiores foi reiterada, o que sempre se sucedeu com total eficácia, porém a atenção das autoridades começou a ser chamada, devido ao número alto de cadáveres acidentalmente incinerados no hospital: sete. O auxílio de parentes que queriam enterrar seus entes queridos sem o poder fazer foi decisivo para a investigação. A polícia interrogou ambos os profissionais da saúde, sendo que Pedro estava visivelmente transtornado, o que se constatou por suas expressões faciais, sua gagueira e o suor de testa, mãos e peitoral. Isto fez o médico pensar em eliminar o assistente, mas sem saber como o fazer até o átimo.

Um dia depois o assistente foi abordado por três homens num veículo negro e de vidros escurecidos. O cadáver de Walesa teve seu pênis retirado. Ao receber o mastro do ex-assistente intacto num recipiente com gelo, o médico ouviu ainda jocosidades dos assassinos mercenários, mas teve que evitar responder com grosserias, pois temia por sua vida; disse ainda que o membro era fundamental para sua felicidade, para gargalhadas gerais... Finalmente remunerou mui bem os homicidas e se despediu aliviado.

Ao retornar ao hospital com o membro congelado, já escolhera sua assistente: a que lhe dera melhores lembranças do coito e era a mais confiável enfermeira. Verificou que o pênis do assistente era ainda maior. Era cavalar. O sorriso de satisfação da enfermeira Glória era decerto verdadeiro e notório...

 

24 e 25-10-10

 


 
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Código do texto: 5c339cbb221393de7efb90a546b3fa77                  Enviado por: POETA OLIVEIRA em 01/02/2013

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Sobre o autor
POETA OLIVEIRA
NITEROI, RJ, Brasil


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