Nós, humanos racionais, muitas vezes agimos contra nós. Se seguíssemos uma trajetória parecida com a das abelhas, certamente, já estaríamos ajudando nosso tempo e tempos vindouros. As abelhas, ao sugar o néctar, saem disseminando o pólen para uma nova geração de plantas e consequentemente a estabilidade de tantas vidas. A humanidade inescrupulosa vive para colher o néctar, esquecendo-se da continuidade desse processo para que nada fique em prejuízo. Com o pensamento nos lucros imediatos e no progresso, promovem o desequilíbrio do habitat, ignorando que o enriquecimento de hoje não recompõe o desfalque do amanhã.

         Mexer ou exterminar com o que é nativo altera o clima, desregula as chuvas, vêm os ventos, vêm incêndios, exonera ou extingue vidas que cumprem sua função mesmo que seja só para manter a cadeia alimentar.

         Nosso Éden, tão rico, tão necessário e cobiçado por outros povos, se não houver uma conscientização em massa, num curto período poderá ser substituído por áreas devastadas com precária produtividade. Num esforço coletivo, com uma consciência genuína, vamos proteger nossas riquezas sem deixar de colher o sustento que abundantemente nos proporciona.

          Mas o que deve ser feito para se beneficiar sem causar prejuízos?  Proponho o uso da tecnologia que já está ao nosso alcance: utilizar drones como semeadores, aumentando assim a diversidade das plantas para que se torne uma selva mais compacta e mais resistente com a soma de novas espécies. Alargar as áreas das margens de proteção dos rios para que os mesmos tenham mais sombras e um solo menos pisado. Onde houver capões de matos que representam uma camuflada preservação, deixar mais amplos e mais compactos também, para que seu interior não favoreça a entrada de intrusos, mas somente dos bichos cujas estruturas ósseas lhes permitem tal flexibilidade. Lançar novas espécies de sementes que certamente germinarão neste vasto bioma enriquecendo nossa biodiversidade. Se viável, recorrer a Arca das Sementes da Noruega, a qual abrange milhões de espécies provindas de todas as partes do mundo, buscando possibilidades de adaptação. Temos como exemplo o açaí, que sendo originário do Amazonas, e estendendo-se por toda a toda Região Norte do País, num projeto simples adaptou-se ao solo do Rio Grande do Sul onde está fazendo muito sucesso. Essa fruta de tão grande valor nutricional se enraíza em outros países como Colômbia, Venezuela, Equador e Guianas. Seguindo essa corrente, certamente muitas outras espécies podem dar seus frutos em terras ainda não testadas. Se salvarmos a flora, automaticamente a fauna se salvará. É muito triste saber que nossos tesouros tão abundantes estejam sendo aniquilados pela imprudência do homem.

         Nossas águas que sustentam agricultura, pecuária, indústrias, navegação, energia e principalmente a vida na terra não podem ir ralo abaixo. Nossos aquíferos precisam manter seus volumes, mas a mão cega do homem faz com que estreitem seus caminhos. Muitos pensam que se a água da superfície acabar é só cavar poços artesianos, pois os lençóis d’água são inesgotáveis e quanto mais profundos mais puros. Sabemos que isso não é verdade, mesmo lá nas profundezas, sem ação de temperaturas para evaporá-los vão se extinguindo com a diminuição das chuvas e a sugação sem controle. A região do Cerrado tem o privilégio de ser beneficiado pelo maior aquífero do mundo, abrangendo áreas transfronteiras: Paraguai, Uruguai Argentina, sendo que sua maior extensão está no Brasil. Parece que temos tudo que há de melhor no Planeta em se tratando de riquezas naturais, então vamos ser os maiores protagonistas do mundo na preservação de nosso bioma enquanto ainda transborda vidas sejam vegetais ou animais. Sabemos que há inúmeras áreas ambientais protegidas por Leis para que não sejam mais danificadas. Mas mesmo assim há invasores que aos poucos vão deixando pegadas de destruição. Que tal escolher algumas Empresas Multinacionais, Nacionais, Universidades e até outros Órgãos para apadrinharem? Sendo assim seus membros vigentes ficariam responsáveis por sua prosperidade. Poder-se-ia até premiar as que mais se empenhassem nessa ação. Não seria uma tarefa de fiscalização, mas somente de manutenção, pois os resultados seriam tão positivos que o foco disseminaria só o proposto.  

         Vamos salvar nosso Éden, pois muitos Países o tinham e o deixaram vazar pelos vão dos dedos. Se usarmos nossa inteligência com consciência, poderemos num futuro próximo aumentar as chances de sobrevivência, não só do Cerrado Brasileiro, mas de toda e qualquer extensão territorial. Assim como o grito da Independência ecoou as margens do Ipiranga e posteriormente revolucionou os destinos do Brasil, vamos gritar socorro ao vasto Bioma do Cerrado: falência ou sustentabilidade!


 
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Código do texto: 5c2a8a0dbf63a55a99c02aac9a97ce4b                  Enviado por: Arai Santos em 24/04/2017

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