Foi num grande amor, hoje quase sufocado,
que acalentei um sonho mais ambicionado.

Se longe, um dia, foi a causa de tanta alegria,
hoje me impele nessa senda a pura hipocrisia,
néscio sou que não teme a própria vã idolatria,   
ainda pulsam-me as veias, tremo tão fascinado.
Como hei de libertar-me se estou enfeitiçado?

Desejos dos sonhos, tive-os tantos em demasia,
que antes, crer em desventuras sequer poderia,
para sempre achei que vivo no peito ardor teria.
De tentações com a volúpia dos beijos extasiado,
acreditei só na pujança do sentimento externado. 

Então, um dia, serviu-me tão fria a amara iguaria,
crendo que essa sua ausência sequer me abalaria;
inócua a providencia, pois angustiado eu seguiria.
Na luxúria inflamado de arrepios de pavor tomado, 
lamentando abatido não poder mais ir ao seu lado.

Em desterrar-me, um exílio o sofrer não mitigaria,
menos cínico esse meu proceder então não seria,
num sombrio degredo ninguém me acompanharia.
Jamais esquecer este amor, quero tê-lo guardado,
que as minhas lembranças fixem seu nome amado. 





Homenagem ao grande poeta conterrâneo Paulo Setubal:

“ Foi nesse grande amor, quase noivado,
Que floresceu o sonho mais doirado
Das tuas ambições, dos meus desejos.
Mas ai! Tanta afeição, tantas loucuras,
O idílio que tecemos entre juras”

FOI NESSE GRANDE AMOR
Fonte: Alma Cabocla - Paulo Setúbal - Obras de Paulo Setúbal 
– Saraiva Livraria Editora - 7a edição – 1958


 
Luiz Morais Views: 555

Código do texto: 4386ad29cc03ed485469a889694d1f87                  Enviado por: Luiz Morais em 07/09/2015

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Sobre o autor
Luiz Morais
Piracicaba, SP, Brasil


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