Havia no firmamento a lua espalhando brancura,
circunspecto, estava sozinho, era infeliz criatura.

Mesmo sem nenhuma resposta aos meus anseios,
permeado pelo desprezo, de juras, cálices alheios,  
sequer iluminado com raios de amor sem receios.
A face da lua, tão branca, não reflete a sua figura,
da mão escapuliu a chave do segredo da ventura.

Por vezes, mais de um segredo aos olhos se revela,
ali na tranquilidade do clarão da lua, sem esparrela,
conforto na veracidade da inspiração mais singela.
Lanço um olhar auspicioso na escuridão, na lonjura,
bruno, o medo escancarado com a noite já mistura.

Qualquer alma, calada tremeria na agonia intensa,
leda suspiraria por raio de estrela na noite densa;
houve uma noite triste,  de separação, e nela pensa.
Com sorriso de peregrino príncipe tenho a postura:
serei visionário, até a manhã, em busca d’aventura.

Deveria aguardar brilhar a luz, sem desprezo mouco,
nem ao entardecer com o pôr do sol morrer um pouco, 
mirando a lua, no estertor de um débil gemido rouco.
Ondas de prata incidindo, a mim rindo, com brandura,
um bálsamo deixando-me a suspirar por uma abertura.

Afastado da fase clara, sou sombra calada, sem rosto,
o desvanecimento da alegria não é a opção, é imposto,
sem luz, sem raios do luar trago no peito amargo gosto.
Estranhamente minhas palavras se abafam na agrura,
em desespero, tentar ser mais forte que a desventura.

Homenagem:

“ En el aire conmovido 
mueve la luna sus brazos 
y enseña, lúbrica y pura, 
sus senos de duro estaño. 
Huye luna, luna, luna. 
Si vinieran los gitanos, 
harían con tu corazón 
collares y anillos blancos. “

Romance de la luna - Poema de Federico García Lorca



 
Luiz Morais Views: 936

Código do texto: 7ffa3e4c015dbe9542e34897ba9e8128                  Enviado por: Luiz Morais em 07/12/2014

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Sobre o autor
Luiz Morais
Piracicaba, SP, Brasil


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