Ela fora tão ousada, agora se queda tão mansa,
assim doce, como pomba branca que ao ar se lança.
 
Como estrela com vergonha num céu inquieto,
desliza, tão suave vai, num caminhar conspecto
traz aura de luz, tanta doçura no seu aspecto.
Enquanto audaciosa, cometia tanta intemperança,
desafrontas premeditava,mentia, traia confiança.
 
Tê-la ora tão meiga,imóvel como estátua espanta,
inquieta,tantas vezes a vi partir, era ilusão tanta,
em voos céleres, audaz a cada fantasia que levanta.
De um ser tão arrojado, agora é escassa pujança,
sem mais represálias a quem não tardava vingança.
 
Tão serena pode-se sentir a respiração que enleia,
repousa dócil no delicado recanto, nada mais receia,
afetuosa, não mais estremece, de ternura é cheia.
Temerário que fui, inconveniente abusei da privança
a voz silenciou, sem clemência não me deu confiança.
 
 
Árboles, yerbas y plantas
que en aqueste sitio estáis,
tan altos, verdes y tantas,
si de mi mal no os holgáis,
escuchad mis quejas santas.
que en aqueste sitio estáis,
tan altos, verdes y tantas,
si de mi mal no os holgáis,
escuchad mis quejas santas...”
 
Cervantes- D. Quixote de La mancha

 


 
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Código do texto: 76648f6f7a6fce3b782d616595796afd                  Enviado por: Luiz Morais em 31/08/2013

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Sobre o autor
Luiz Morais
Piracicaba, SP, Brasil


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