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PERDOAI-ME DEUS!!!

Ary Franco (O Poeta Descalço)

 

         Noite passada, mesmo sob minhas cobertas  (lençol, cobertor e edredom), fui despertado por um frio intenso. Tentei ajeitar-me puxando as cobertas até cobrir minha cabeça. Faltando-me ar para respirar, venci a preguiça e busquei no “distante” armário mais um cobertor.

         Enregelado e tiritante, voltei a deitar-me mais aquecido que dantes e procurei conciliar meu sono e dormir até o alvorecer. Fechei os olhos e lembrei-me dos “Zé Ninguém” (párias intocáveis em outros países) que vivem ao relento, sem abrigo e rejeitados pela nossa “soberba sociedade”.

         Lembrei-me do prefeito que mandou caminhões recolherem todos os colchões e caixas de papelão dos mendigos que “enfeavam” a cidade e, para arrematar a “faxina”, caminhões-pipa limparam com jorros d’água os redutos em que se abrigavam. Quantos desses nossos irmãos morrem a cada noite de hipotermia e seus corpos são “escondidos” nas covas rasas dos cemitérios como indigentes?

         Dias antes, indaguei na praça, a um desses ignorados por nós e invisíveis aos nossos olhos, como ele estava fazendo para aguentar a friagem das noites. Respondeu-me que, “com sorte” achava um carro recém estacionado em chão de terra (com seu motor ainda quente) e embaixo dele acomodava-se sobre o papelão que levava abraçado a ele. Dei-lhe a esmola que pediu e lá se foi o pobre coitado rumo ao nada.

         Umectei meu travesseiro com furtivas e amargas lágrimas, impotente de poder fazer algo além de orar a Deus rogando que agasalhasse os desabrigados, alimentasse os famintos, esperança aos vencidos, saúde aos enfermos e piedade para a insensível Humanidade da qual faço parte.

         Lembrei-me de que aqui chegamos iguais e puros e, usando do livre arbítrio que ELE nos dá, escolhemos o caminho pelo qual enveredamos. Passamos pela vida amealhando bens materiais, lutando por conseguir mais, mais e mais do muito que nada levaremos conosco, tal qual aquele cobertor sobressalente que fui buscar no guarda-roupas para melhor me aquecer.

         A claridade do amanhecer avisou-me que um novo dia começava, dando-me a oportunidade de fazer algo pelo meu semelhante. Mesmo “luxuosamente” livre das intempéries reinantes fora das quatro paredes do meu quarto não tinha conseguido tornar a dormir.

         A cada dia despertado, Deus nos dá a chance de praticarmos o bem e, no azo, repito um pensamento meu: “Todos os dias derramo no oceano um copo d’água. Ninguém vê, ninguém sabe, mas eu sei que ele é maior graças a mim!”     



 
Ary Franco (O Poeta Descalço) Views: 303

Código do texto: 31185a2ab5b5b434b0e34d5609e95a8f                  Enviado por: Ary Franco (O Poeta Descalço) em 19/07/2016

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Sobre o autor
Ary Franco (O Poeta Descalço)
Miguel Pereira, RJ, Brasil


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