Como entender o amor de alguém por algo que, ao lhe sair do corpo, causou-lhe tanta dor? Tal objeto daquela dor passageira passou a formar outro corpo, imensamente menor que o que dera a luz a este. Um pequenino ser que já lhe despertara obsessão enquanto lhe causava mal-estar ou fome (multiplicada por dois). Quando lhe acertava pontapés no ventre então, nem se fala!

 

Cortado o cordão umbilical, têm-se dois seres distintos. Contudo, os laços de amor tornam-se mais fortes que nunca. E não se dissipou a dependência. A alimentar - agora realiza-se externamente, mas a comida não chega sozinha quando queremos. Não tem pernas possantes para chegar sempre que o novo ser necessita. Torna-se imperativo u´a mão carinhosa e delicada para trazê-la -. A de descanso -  pois há muito o que não se fazer. E agora o hóspede vitalício deita eternamente em berço esplêndido -. A de segurança - que agora repousa em seus braços -. A educativa - da qual a própria genitora se encarrega de iniciar, por mais que outrem a complementem –.

 

O amor à cria é algo divino e quem a gera também é cria de Deus, o grande criador - criador do céu, de tudo o que deste está além e tudo o que deste está aquém. Criador da terra e das vastas águas, de tudo o que os habita, e de tudo o que o modifica. Mas erramos demais enquanto seres humanos, fazendo-O parecer um criado nosso, já que tanto clamamos por Ele para que conserte nossos erros.

 

Mãe é aquela que nos dá a vida e sabe que a ela nos deve entregar, por mais que isso nos doe em ambos. Chora. Caso não chore, contudo, sempre segue vigiando ou se preocupando. Mãe é aquela que sonha com nosso crescimento, nossa formação e formatura, mas que, ao ver uma pequena criatura, sente saudades de nossa urina em seus braços e de nossas fraudas amareladas ou amarronzadas (fedorentas de qualquer modo).

 

A ela devemos tudo de bom. Ao acaso ou a nós mesmos, tudo o que disso fuja. Afinal, foram quarenta infindáveis semanas de mudança física e ansiedade. Deu seu sono, seu descanso, seu lazer e tudo o mais por nós. Desde quando me chamava de esperança.

 

Mãe é aquela que nos ama, compreendendo-nos ou repreendendo-nos em nossas atitudes ou na ausência destas. É aquela que proclama por nós os mais lindos sentimentos. Aquela que nos cerca de cuidados por toda a vida. Não é, então, fundamental ser ela a geradora física e biológica, mas a alma que ama e a quem tudo devemos, a começar pela vida.


 
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Código do texto: 10569fc91eb039fd981cc4699bedcbd9                  Enviado por: POETA OLIVEIRA em 13/12/2012

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Sobre o autor
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NITEROI, RJ, Brasil


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