Rio de Janeiro, 23 de novembro de 2001.

 

 

                 Querida Taísa ...

 

                 O homem é o único ser calculista com o dom de destruir o que Deus, seu próprio Pai, um dia lhe deu com tanto amor. Contudo, você, Tata, mesmo que quisesse destruir sua própria beleza, jamais conseguiria. Isto tudo porque, ao tê-la feito, Deus se superou. Você era linda antes de entrar no salão de beleza e linda permaneceu ao sair.

 

                 Ficou um pouco diferente, admito. Afinal, ninguém vai a um profissional que cuida da beleza alheia para retornar idêntico a quando entrou! O significado que você tem para mim em nada mudou. Você não precisa de luzes no cabelo para mostrar ser uma pessoa iluminada. Não precisaria nem mesmo de cabelos, embora ficasse hilariante careca ...

 

                 Deu-se ao trabalho de me escrever uma carta quando nem mesmo precisava, uma vez que o recado me seria dado. Todavia, você preferiu escrever, deixando-me MUITO FELIZ com aquela satisfação feita em maravilhosa caligrafia, à qual você teve a “cara de pau” de se referir como sendo feita às pressas. Até me pediu desculpas... Esse tipo de desculpas eu aceito a qualquer hora! Aliás, a carta está guardada num lugar todo especial e seu conteúdo, no meu coração. Naquela ocasião você já deixara escorrer um pouco do seu mel que tanto me encantou.

 

                 Como dizia Nelson Rodrigues (tricolor – fazer o quê, né?), há dois mil anos estava escrito que eu escreveria (que trocadilho horrível) isso para relatar oficialmente meu agradecimento por você ter aparecido.

 

                 Quando criança, sua alimentação deve ter sido à base de açúcar, mel ... para que desabrochasse uma pessoa tão doce no sorriso, na fala, no olhar (...)! Você é uma abelhinha que me deixa completamente adocicado com sua doçura. Eu só preciso ter cuidado com as suas ferroadas...

 

                 Não me lembro de quando nasci (o que não é novidade), mas minha mãe foi a primeira pessoa marcante em minha vida. Saí diminuto do seu ventre, quando ela era um gigante aos meus olhinhos. Hoje ela se pergunta como eu, com todo o meu tamaninho hoje em dia, pude um dia ter saído dali.

 

                 Meu pai foi o segundo laço sacro que recebi de Deus, mas tive que devolvê-lo. Sou muito grato ao Pai de todos nós pelos momentos que tive e sonhos que tenho com meu pai  biológico.

 

                 Não tenho em mente lembranças de quando surgiu aquele rostinho miúdo envolto em roupinhas e lençol, no berçário. Sei que ela chorava muito... Aos poucos foi se transformando numa linda menininha, que tinha no choro e gritos suas armas psicológicas. Sei que esperta assim é a minha irmã.

 

                 Agora foi você quem apareceu, de um jeito que eu já escrevi em outra carta. Tenho certeza de que valeu muito a pena ter gasto esta parte de madrugada sem sono escrevendo algo que pode ser muito significativo daqui por diante (um segundo divisor de águas, já que o primeiro foi quando a conheci). Espero que a princesa, dona das mãozinhas de fada que está recebendo esta singela carta, goste. Todo este conteúdo é bastante sincero.   

 

                 É como se você trouxesse uma brisa de ar fresco durante aquele dia de inferno a pleno vapor. Um beijo suave recebido por uma criança que se contorce em dores por ter-se machucado. Espero que me ligue mais vezes...O que sinto no momento denomina-se científica, psíquica, química, biológica, física, histórica, simples e puramente amor. Gostaria de saber se a recíproca é verdadeira (se não, entrei pelo cano...).

 

P.S.: Você conseguiu me fazer gostar mais ainda de trabalhar às sextas-feiras.


P.S.: Você me fez gostar mais ainda de trabalhar.

 

                 Beijão. Paulo.                


 
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Código do texto: e4f89a2af1b2ffa164a84a2ba21c705a                  Enviado por: POETA OLIVEIRA em 26/11/2012

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Sobre o autor
POETA OLIVEIRA
NITEROI, RJ, Brasil


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