Quando você partiu, nosso rancho vazio,  cresceu em tamanho e solidão... Agora a nossa rede tem mais espaço para eu espreguiçar e balançar... Mas quem me balança são as mãos da saudade... Como é triste a vida sem você, meu querido amor...! Passo horas olhando para a estrada que abrimos juntos à foice e à enxadas, ombro a ombro, dia após dia, até ficar pronta. E depois caminhamos por ela, juntinhos... Nossa estrada, você e eu e o nosso amor a cada ano mais forte. Hoje só me restam as lembranças daqueles tempos felizes... Ainda sinto o ardume do sol em nossos rostos... e no final do dia, você sorrindo me dava beijinhos na testa, para curar as queimaduras, me dizia. Ai! Como eu queria esses afagos novamente!  Como eu queria...! Ainda caminho por essa estrada querido. Mas desta vez, sozinha e triste... Vou visitá-lo em sua nova moradia todos os dias, levando-lhe as flores dos lírios que você plantou lá na varzea, porque eram as minhas preferidas. Hoje não as vejo com a mesma alegria. Não consigo amor. Nada mais me traz emoção, e nem me agrada. Meu coração ficou  de luto para sempre. Sem você como posso sorrir? Não tenho mais os seus olhos a me seguir pelos cômodos do nosso ranchinho... Não sinto mais o calor dos seus braços a me esquentar nas noites frias... Você não me chama mais de madrugada para lhe preparar o seu café e ralar seu guaraná. Não ouço mais a sua voz querido... Não o tenho mais. O destino me tirou você e roubou a minha paz. À  tardinha o vento geme, balançando os galhos da mangueira. O periquito grita o seu nome e aumenta a minha dor.  Tudo aqui  lembra você, desde o latido triste do cão aos mugidos do gado... Os últimos raios do sol filtra por entre os ramos, e eu pressinto a tristeza que o manto da noite traz. Durante a noite é maior a solidão. Nosso quarto antes pequeno, agora é tão grande quanto esta saudade que tanto me machuca... Sozinha vou dormir mais uma vez. Outra noite sem você, amor. Outra noite...
 
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Código do texto: c7fcdbb50709d35365f7d493c17c0039                  Enviado por: Josi Clemente em 12/02/2013

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Sobre a autora
Josi Clemente
Cuiabá, MT, Brasil


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