NOVAS TROVAS 120

 Em sete cordas são certeza,

Da minh’alma a melodia,

Seis d’elas prá tristeza;

Uma só prá alegria!

 

Chegou a primavera, lembro

Há-de ser pra ser minha,

Se te fizeres, Dezembro,

Faço-te logo andorinha!

 

Juraste-me amor eterno,

Era falso, acreditei-o,

Já não me queres, diz inferno

É verdade, e não creio!

 

Senhora das Necessidades,

Sabes bem que necessito,

D’amor umas quantidades,

Do J’aquim meu favorito

 

Sobre as sinas, fico, absorto

Co’as flores de meu jardim,

Que o meu coração está morto,

Enterrado dentro de mim!

 

A que pretende ser bela,

E com garridice conta,

É já velha ou não é donzela,

Ou está perto de tonta!

 

Verga a tua consciência,

Com força muito maior,

Um grão só de violência,

Do que dez quilos de amor!

 

Assim, em tenaz porfia,

Passa esta vida traidora,

Eu suplicando-te: Agora…

Tu respondendo: Outro dia!

 

Dei uma prova d’amor,

Uma flor à minha amada,

Triste sorte d’essa flor,

Que não pode durar nada!

 

Sou pobre, tu sabes bem

Deixa-me ao menos cantar,

Um grilo vale um vintém,

E, não o mandam cantar!

 

 


 
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Código do texto: 67fd992d30683b4ec61016f068e77fbd                  Enviado por: Nelfoncar em 29/08/2016

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amora Portugal, EX, Portugual


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