NOVAS TROVAS 106

 

Quando o diabo reza,

Crê, enganar-te quer

Disto podes ter a certeza,

Seja lá que for a mulher!

 

Com sangue das minhas veias,

Fiz  destas juras estampa,

Serem tuas minhas ideias,

Até chegar à minha campa!

 

A gente deve lembrar-se

Qu’esta vida  é uma luz,

Que se apaga mais depressa,

Do que se diz: Ai,! Jesus!

 

Dos vícios de toda gente

Dois alforges trago cheios;

No das costas levo os meus,

E no da frente…os alheios!

 

Há três cosa que detesto:

-- Uma sopa sem toucinho;

-- Uma bolsa sem dinheiro;

-- Um garrafa sem vinho!

 

Disse-me um do Júlio de Matos,

Pelas grades da prisão;

Não são todos os que vês,

Nem estão todos os que são!

 

Olhou-me assim de repente

De uma maneira d’encantar

Que morri, ali demente

Tornou-me de novo a olhar

Do mesmo modo ardene,

Que me fez logo ressuscitar!

 

 

 

 

 


 
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Código do texto: 94d86f8b4c8b93a63b175946b0fd9f85                  Enviado por: Nelfoncar em 03/02/2016

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amora Portugal, EX, Portugual


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