TAUTOGRAMA – A palavra é formada por dois elementos de composição de origem grega: tauto, “o mesmo” e grama, “letra, sinal ou marca”. A junção desses dois elementos aconteceu por volta de 1858 na frança: tautogramme. Esse nome é dado à poesia, ou à prosa, em que todos os seus vocábulos começam sempre pela mesma letra.

      O Tautograma difere-se do Paragramatismo ou aliteração, que se refere à repetição de consoantes ou sílabas em qualquer frase, como: O rato roeu a roupa do Rei de Roma, e, ainda, da onomatopéia, que corresponde a vocábulo imitativo de um ruído qualquer, não necessariamente repetido: pá, tintim, cricri, pum, baticum.

       São de minha autoria os seguintes sonetos e trovas:

 

PANACEIA PELA PRÓPRIA PAZ
(Soneto em Tautograma decassílabo heroico)


Pode parecer páfia, presepada,
pura parola para persuadir,
poder paliar pretensa pachecada!
Porém, peca panteando presumir!

Por pressupor possível palavrada,
peço perdão. Paguei por proferir
parênese, por prática pautada
para paixão pudica produzir!

Purgado por palpites panglossianos,
pacientemente pude propor planos
pertinentes, propícios pela paz!

Palurdice, porém, provoca pranto!
Preferiu preterir, primar, portanto,
por praticar perjúrio pervicaz!

 

DOGMATISMO
(Soneto em Tautograma decassílabo
misto de sáfico e heroico)


Durmo desvinculado do destino,
desperto dúbio, dele dependente!
Defronte desse diário desatino,
denoto densos dotes de demente!

Deflito dessa dor, donde defino
desalmado, dizendo descontente
demais desse dotal dispor divino
de doutrinar direito divergente!

Dessagro desolado, depois deixo
de desavir, despido do despejo,
desfrutando dum dédalo desleixo!

Desdenho déspota, depois desabo
delindo desse dom: débil desejo
de duvidar de Deus diante do diabo!


 

TROVAS TAUTOGRAMADAS

 

Aproveite assim assaz,
aja alegre amando alguém!
Acredite, atreva audaz,
adore amar! Ame! Amém!


Borboleta bem brilhante,
bucólica bailarina,
brinca, baila, bamboleante,
bela bizarra bambina!


Conscientemente consigo
comportamento certeiro:
conviver calmo contigo,
com carinho costumeiro!


Doar! Desígnio divino,
dogma da dignidade!
Desfrute desse destino,
dom de douta divindade!
 

Eutimia eterna, espero
e enquanto eu existo, ensejo!
Esse egocêntrico esmero
evita eventual entejo!


Fidalga flora fulgente,
fragrância fenomenal!
Fecundidade fremente,
florescente festival!


Girassóis giram gabando!
Gardênias gazis griladas
gracejam gesticulando
graciosamente gamadas!


Histórica hombridade,
hábil harmonioso hosana!
Homem: honra, honestidade!
Habitual herança humana!


Zanho, zureta, zangado,
zanza zás-traz zombador!
Zunzina, zumbo zonzado:
zangão zoado zingrador!

 


 
Genilton Vaillant de Sá, IWA Views: 1839

Código do texto: 59e5b425cb9d22295818a380af9edc79                  Enviado por: Genilton Vaillant de Sá, IWA em 06/09/2012

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Sobre o autor
Genilton Vaillant de Sá, IWA
Vitória, ES, Brasil


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