Não é por falta de assunto que escrevo sobre o mesmo problema. Sou levado pela atual situação recorrente e lamentável. Diariamente, me deparo, através da mídia, com novas notícias sobre crimes, assaltos, estupros e outras atrocidades ocorridos em meu país. Não é novidade constatar que parte da sociedade brasileira, que poderia rotular de elite, considera notícias sobre crimes e toda sorte de violência como algo “não politicamente correto”. Não me importa ser “politicamente correto” quando, diante de mim, vejo as mesmas cenas de violência repetidas vezes.
                             È possível que tal elite pense assim porque é proprietária de casas ou apartamento aparelhados com as mais recentes tecnologias em termos de segurança contra a violência. Entretanto, todos esses meios disponíveis não as livram de passarem pelos sofrimentos e os mesmos infortúnios e reveses do homem comum pego de surpresa. Estamos no mesmo barco e ninguém disso escapa incólume.                           

                          A tendência de opiniões acerca da redução de idade para a delinquência juvenil não é normalmente aceita por advogados e juristas nem tampouco é aceita por setores religiosos de todas as denominações. Em caso afirmativo, como deveríamos contornar esta questão que continua provocando tantas mortes de inocentes de todas as idades e níveis sociais? Continuaremos perdendo nossos entes queridos devido a ondas de violência de todos os tipos? Não se poderia pôr termo a toda esta carnificina? Será que não temos autoridades responsáveis e competentes para cuidar desta questão urgente? Teremos que cruzar os braços e permanecer passivamente aceitando todo esta estado de incerteza com relação às suas consequêcias? Dir-me-ão que estou exagerando na minha avaliação das condições sociais da segurança de nossa sociedade?
                          Que eu saiba, o Brasil não está enfrentando uma guerra civil, porém se você, leitor, atentar para esta situação insustentável, parece-nos que estamos no meio de um batalha com balas, sobretudo as conhecidas balas perdidas, ceifando inocentes que passem justamente onde está havendo tiroteio nas ruas de bairros ricos e pobres das cidades. Se porventura anotássemos o número de mortos por balas perdidas, os gráficos estatísticos seguramente iriam para a estratosfera como se fossem o total de pessoas mortas numa guerra entre dois países. O número de mortes de inocentes cresce cada vez mais e, até agora, nenhuma medida efetiva foi tomada pelas instâncias do poder aqui no país. Tal qual no conto de Anderson, o rei esta nu, mas todos dizem que está vestido a fim de não contrariar as atitudes e comportamento do rei.
                          A sociedade brasileira se unida fosse, à semelhança do que se vê em outros países do mundo, não permaneceria tão calada quanto aos erros e omissões das autoridades. Enquanto as leis brasileiras, que são lenientes, não mudarem para melhor, i.e., enquanto nosso congressistas e nosso poder judiciário não se manifestarem sensíveis e sensatos com esta estado de angustiante com esta escalada de violência, colocando em perigo e em estado de choque nossa sociedade, cada vez mais haverá pessoas assassinadas nas ruas, visto que criminosos, assaltantes e estupradores e um n´mero de outros facínoras estarão atacando suas vítimas de surpresa, independente do lugar e hora que escolhem para suas presas. 
                        Naturalmente, quando discuto esta questão, me reporto geralmente a duas principais metrópoles do Brasil: São Paulo e Rio de Janeiro, Reconheço que algumas medidas têm sido tomadas pelas autoridades das Secretarias de Segurança destas duas cidades. No entanto, isso não é bastante. Deve-se enfrentar a batalha da criminalidade crônica em muitos flancos.
                       Além disso, deve haver uma mudança radical no enfrentamento de outros tópicos de fundamental importância, sendo o principal a melhoria das condições de vida social das comunidades desfavorecidas, mais conhecidas como “favelas,” situadas nas colinas e montanhas, segundo se vê no Rio de Janeiro. 
                        O governo estadual do Rio de Janeiro criou as chamadas UPPs (sigla em português para Unidades de Polícia Pacificadora), que são uma espécie de pequeno distrito policial, cuja função é interagir com os habitantes locais de favelas, procurando conquistar o respeito e a amizade da comunidade, estabelecendo de amizade com os moradores e livrando-os dos narcotraficantes e viciados em drogas em ambiente de ambíguas transações de compra e venda de drogas.
Sua função é, em consequência, muito difícil enfrentar e exige paciência e tato da parte dos policiais.    

                       Obviamente, a criação das UPPs em alguns aspectos tem auxiliado as comunidades, pois no Rio elas se contam às centenas espalhadas em todo o Rio de Janeiro e se localizam tanto em torno de bairros famosos e elegantes da Zona Sul carioca quanto em bairros distantes de classe média e classes menos favorecidas da Zona Norte e Oeste do Rio de Janeiro.
                       A chegada das UPPs no Rio de Janeiro mudou tremendamente o mercado imobiliário, visto que com elas os preços de casas e apartamentos, que estavam desvalorizados em razão da violência principalmente oriunda das favelas situadas perto de bons e privilegiados bairros, tiveram seus preços de venda e aluguel aumentados consideravelmente da noite para o dia.
As múltiplas atribulações causadas pela violência, desse modo, cobram um posicionamento de nossas autoridades, a elas competindo, portanto, cuidar sem trégua deste problema, não a longo termo, porquanto isso só agravará a situação de tal maneira que não haveria meios de controlá-la.           

                      Ninguém deseja que isso aconteça, pois qualquer outra alternativa significaria decretar a falência de nossas instâncias do poder. Se o governo federal fracassar na solução deste problema, nosso país logo sentirá os efeitos danosos pelos quais em parte será responsável.As piores consequências não são difíceis de vislumbrar: prejuízos na economia, instabilidade política, colapso do turismo e problemas sociais. De um ou outra forma, todos serão atingidos e não sairão ilesos.
                    As autoridades não poderão dizer que o povo não as advertiu a tempo sobre os males que possam ser desencadeados pelos altos níveis de violência. Está na hora de as autoridades despertarem para este  incessante recrudescimento do nível de violência no país.

 


 


 
Cunha e Silva Filho Views: 1525

Código do texto: 73a80cb1dde23dc2e814203d565b6bad                  Enviado por: Cunha e Silva Filho em 24/04/2013

Compartilhe este texto com seus amigos   
 
  
  

Copyright © 2018 Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.

 
Ler Comentários [0]


 Escrever comentário

 
Sobre o autor
Cunha e Silva Filho
Rio de Janeiro, RJ, Brasil


 Ver mais textos deste autor